Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

SEGURO: Os carros mais caros e o que pesa no valor

SEGURO: Os carros mais caros e o que pesa no valor

O perfil do motorista, o modelo do carro, o local onde a pessoa mora, quanto ela costuma rodar, onde estaciona, se possui filhos que tiraram a CNH recentemente, o índice de roubos e acidentes, o custo de reparo. Tudo isso é levado em conta ao definir o preço do seguro.

Com tantas variáveis, é difícil o segurado saber se está pagando caro ou não. Uma apólice tradicional custa entre 2% e 10% do valor do carro. Ou seja, o seguro de um modelo de R$ 30.000 pode custar entre R$ 600 e R$ 3.000.

De acordo com o Sincor-SP (Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo), um seguro barato varia entre 2% e 3%. Acima de 7% ele já é considerado caro. “A dica é fazer uma simulação do seguro de todos os modelos que estiver em dúvida. Hoje, uma taxa boa está entre 4% e 5% do valor do carro”, afirma Boris Ber, vice-presidente do Sincor-SP.

O que pesa no bolso

De acordo com Marcelo Sebastião, diretor de auto da Porto Seguro, os itens que mais influenciam no valor do seguro são: bairro de residência, regiões onde circula com mais frequência e em qual período do dia, idade e estado civil do segurado, se usa o carro para trabalho, se possui garagem na residência, se possui pessoas com menos de 24 anos em casa, custo de reparo do veículo, valor do carro e incidência de furtos e roubos. “Mas não é possível medir quanto cada um deles vai influenciar no preço final, porque isso varia de segurado para segurado. Cada seguro é único”, destaca Sebastião.

O valor do carro, calculado com base na tabela FIPE, tem grande peso, mas não é o fator principal. “A idade do motorista e a região onde ele mora também influenciam muito no custo. O seguro de um mesmo carro é diferente se o motorista tem 18 ou 45 anos. Da mesma forma, há variação se ele mora em um bairro com grande incidência de roubos em São Paulo e em uma cidade pequena no interior do Estado”, aponta Ber.

“É preciso levar em consideração se o modelo é visado na região, o valor das peças e a taxa de recuperação do veículo”, diz Leonardo Mazetto, gerente da Mazetto Corretora de Seguros. Um levantamento feito pela empresa apontou que a variação no preço do seguro pode chegar a quase 50% de acordo com o bairro de São Paulo.

Entra na conta ainda o índice de custo de reparo, um relatório publicado anualmente pelo Cesvi Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária) que mostra os veículos com menor custo e tempo de reparo.

Reduza os custos

Os carros mais visados pelos ladrões têm seguros mais caros. É o caso de Fiat Palio, Volkswagen Gol e Fiat Uno, os três carros com mais ocorrências de roubos e furtos no primeiro semestre em São Paulo, segundo levantamento feito pela empresa de monitoramento Ituran.

E de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, está cada vez mais difícil fugir do alvo dos bandidos. Só em 2013 ocorreram 99.206 casos de roubos e furtos de veículos no Estado, um aumento de 14% em relação a 2012 e o maior número em 12 anos.

Para reduzir o custo da apólice, algumas seguradoras oferecem instalar equipamentos como alarme, rastreador ou bloqueador de combustível. Esses itens podem diminuir o valor em até 10%. Mas vale a pena pesquisar como isso irá afetar o custo em cada seguradora antes de assinar o contrato. Há empresas que exigem que o equipamento seja instalado por ela mesma.

“A redução do valor do seguro vai depender também de outros fatores. Na renovação da apólice, por exemplo, o segurado que não teve sinistro geralmente ganha bônus”, aponta Marcelo Sebastião, da Porto Seguro.

Seguro mais barato?

Quanto maior a abrangência do seguro (coberturas, assistências, benefícios e valor da franquia), mais caro ele será. Por isso, algumas seguradoras oferecem uma opção mais em conta que, contudo, é também mais restrita. É preciso ficar atento ao contrato para saber se o seguro nesses casos vai realmente atender às suas necessidades.

Alguns, por exemplo, não têm cobertura contra roubo, furto ou acidentes, mas incluem danos a terceiros. “Esses seguros estão dentro da lei e podem ser uma opção para alguns perfis específicos. Quem tem mais de um carro, por exemplo, pode não precisar de veículo reserva em caso de roubo. Ou se ele tem um modelo antigo, que não vale tanto, a pessoa pode não querer cobertura para o próprio carro, mas sim para o de outros, se houver uma batida”, ressalta Boris Ber, do Sincor-SP.

Popular de verdade

Para o Sincor-SP, essas opções disponíveis hoje no mercado não são de seguro popular. “O que existe hoje é um seguro enxuto, que não oferece cobertura ampla”, alerta Boris Ber. A FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais) acredita que a possibilidade de reutilizar peças automotivas graças à Lei dos Desmanches, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em maio deste ano, deve abrir caminho para o verdadeiro seguro popular, com preços mais acessíveis para veículos com mais de cinco anos de uso, sem limitar a cobertura.

“O seguro popular é aquele onde será possível usar peças recuperadas no conserto de veículos sinistrados. Isso permitirá diminuir o valor do seguro em cerca de 30% graças à redução dos custos com as peças necessárias ao reparar veículos com danos parciais”, afirma Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP.

Os dez carros com seguro mais caro

A lista dos seguros mais caros foi elaborada pela Porto Seguro com base em um perfil padrão: homem, 45 anos, casado, sem filhos abaixo de 24 anos, com garagem em casa e no trabalho, com residência na zona sul de São Paulo. Veja como ficou o ranking dos modelos zero-quilômetro:

1- Volkswagem Gol 1.0 – R$ 2.091,26 2- Renault Sandero Expression 1.0 – R$ 2.403,10 3- Chevrolet Celta LT 1.0 – R$ 2.703,88 4- Ford Fiesta Hatch 1.0 – R$ 2.604,36 5- Chevrolet Classic LS 1.0 – R$ 2.604,36 6- Fiat Uno Vivace 1.0 – R$ 2.858,06 7- Ford Ka 1.0 – R$ 2.372,96 8- Volkswagem up! Move up! 1.0 – R$ 1.767,54 9- Fiat Palio Attractive 1.0 – R$ 2.814,28 10- Volkswagen Fox 1.0 – R$ 2.462,27

Fonte: iCarros